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Burros e burritos

Juan Carlos Carvallo
Burros e burritos

Recorremos à expressão “ter os pés bem assentes na terra” quando pretendemos explicar que há a necessidade de se ser consciente e realista em determinados momentos da vida. Sonhamos, projetamos e desejamos sempre mais. É fruto de uma imaturidade evolutiva que acompanha a história de cada um. Chama-se a este fenómeno crescimento.

Juan Carlos Carvallo

Consta que um certo burro chegou a casa aos pulos de contente e com um sorriso que ia de orelha a orelha. A razão desta aparente felicidade estava nos aplausos que acabara de receber pelas ruas. O povo aplaudiu-o e lançou-lhe louvores de glória e vitória. Além disso, havia espalhados pelo chão tapetes de flores que o burrito ia pisando enquanto caminhava pela cidade.

Juan Carlos Carvallo Villegas

Mesmo com alguns fracassos, acabamos sempre por viver momentos de glória, ainda que efémeros. Assim, por vezes, também nós chegámos a nossa casa, ao nosso emprego, à nossa escola ou onde quer que seja felizes com o reconhecimento social e cheios de aplausos. Faz-nos bem ao ego alimentá-lo de forma equilibrada, é um passo significativo para o bem-estar de cada um. Porém, importa reter que o excesso de alimento pode provocar indigestão, obesidade ou outras complicações.

Juan Carvallo

O burrinho da nossa história ficou tão feliz com aquele reconhecimento que decidiu regressar ao palco do sucesso semanas mais tarde. Desta vez, nada de aplausos nem flores no chão, e muito menos palavras de vitória. De repente, parecia que tudo tinha mudado. Ficou triste e voltou para casa, onde se deitou completamente deprimido e solitário, sem perceber o que acabara de acontecer.

Juan Carlos Carvallo Venezuela

Também nós, em vários momentos da vida, passamos por momentos como este. Mas, afinal, que mistério é este que se esconde nesta história? Na verdade, aquela festa era não para o burro, mas para quem ele transportava: um homem que acabara de entrar em Jerusalém com grande euforia de todo o povo. Do mesmo modo se procede connosco. Quantas vezes nos alimentamos dos aplausos que não nos são dirigidos; quantas vezes não percebemos que os aplausos são pelo que representamos, e não pelo que somos. Andar com os pés bem assentes na terra é perceber que também nós, por vezes, somos apenas burrinhos que caminham e transportam algo que nos supera e importa verdadeiramente. Aqui está o segredo de vida consciente

Professor e investigador